20.5.07

Vodca, tequila, saquê...

"Todos os grandes jornalistas, como Hemingway, tomavam bebidas fortes."

Marcos Faerman

Rumo ao JUCA, não preciso dizer mais nada!

5.5.07

O quer dizer

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.

(De Paulo Leminski para Haroldo de Campos)

16.3.07

BU(ll)SHit

A bandeira do Brasil enrolada no corpo da mulher podia parecer, à primeira vista, uma manifestação pela soberania do país, mas era só um disfarce. Por baixo do pano, literalmente, não havia nada.

A modelo-atriz, Janaína Bueno, disse que queria protestar e usou sua força maior, tirou a roupa. Só com a calcinha do biquíni e o corpo pintado com dizeres “Fora Bush” ela esperava o comboio presidencial passar.

Se visse a modelo, é provável que Bush não entendesse nada. Imaginaria estar sendo saudado com boas-vindas, cortejado diante dos atributos físicos de uma mulher, que se oferecia, nua, especialmente para ele. Toda aquela beleza exposta faria perder sentido a intenção de mostrar repulsa ao presidente norte-americano, seria antes um presente.

Parada na esquina da Avenida Luiz Carlos Berrini com a Rua Arizona, próximo ao Hotel Hilton, onde o visitante ilustre ficaria hospedado, a estratégia escolhida pela moça para a manifestação apresentava um claro paradoxo. Ao mesmo tempo em que alvejaria Bush com palavras, também lhe brindaria com seu corpo. Será que estava mesmo fazendo uso dele para uma causa maior?

Janaína foi esperta ao pensar em utilizar a aparência para conseguir chamar a atenção. No fundo, agiu como o próprio Brasil, que para atrair aos interesses externos, revela seus encantos, sejam eles a Amazônia, o etanol ou sua posição favorável para frear na América Latina uma suposta onda anti-americana.

Ingenuamente, ou só para disfarçar, o governo brasileiro diz que espera conseguir estabelecer um diálogo, um acordo conveniente para a produção e exportação do álcool e avançar na luta pela redução das barreiras comerciais nos Estados Unidos e na Europa. A comitiva de Bush não dissimula tanto, fala só em ajudas médicas e humanitárias, em uma quantia de 75 milhões de dólares para que os latino-americanos aprendam inglês.

Quando a única coisa que se tem são algumas qualidades, entregá-las em vão é burrice. Sem pudor algum, sai perdendo o país, que se rebaixa por um pouco de atenção. Da passagem de Bush o que fica é a mesma efemeridade que conseguiu Janaína. Depois não culpem aos gringos por enxergarem no Brasil um país de belezas naturais, todas ao desfrute.

Os donos das ruas

Pode ser mania de perseguição, mas quando volto para a casa dirigindo, tenho a impressão de que todos os motoqueiros buzinam bem na minha janela. Já cheguei a prestar atenção e notei, entre os intervalos de silêncio, que é invariavelmente no instante quando passam pelo meu carro que o buzinaço volta a ecoar.

Num primeiro momento, o ruído me fez cogitar a possibilidade de eu ter o costume de dirigir muito rente à pista da esquerda, mas isso não procede. Como ainda não consegui pensar em uma forma de ocupar a posição estratégica dos veículos que estão redimidos desse martírio sonoro, compartilho-o com o leitor.

O fato é que antes do congestionamento, o barulho incessante consegue me irritar mais, pois não me deixa ouvir nem meus pensamentos, quanto menos o rádio. Além disso, a atitude dos motociclistas é um tanto arrogante, como se avisassem: não ousem se mexer, fiquem onde estão, estamos chegando e as ruas são nossas.

Tudo bem que as motocicletas têm preferência, mas esse poder de infernizar o trânsito já constitui abuso. Sei da pressão que os motoboys sofrem para realizar o maior número de entregas em um mínimo de tempo e dos riscos que se sujeitam diariamente, porém a minha experiência com eles se dá em um período quando não estão mais a serviço, mas voltando para a casa. Talvez seja a pressa para chegar logo e finalmente estacionar. Quem sabe não consigam mais guiar de outra forma depois de dirigir feito loucos o dia todo.

Acontece que sou contrária ao uso da buzina, a menos em situações extremas. Logo que tirei minha habilitação evitava pressioná-la, pois, longe de um alerta, ela passou a ser utilizada como uma forma grosseira de comunicação entre os motoristas. Aceito, no máximo, um toque de leve para chamar a atenção e prefiro seu uso mais simpático – para cumprimentar alguém que avistamos na rua.

Agora que minha postura anti-ruído ficou explícita, por favor, quando passarem por um gol vermelho parado no engarrafamento da Avenida 23 de maio no fim da tarde, não buzinem. Não tenho culpa pelos motoristas incautos que atrapalham a agilidade do tráfego das motos. O trânsito paulistano é uma confusão sim, mas não é preciso extrapolar o limite e estourar o tímpano alheio.

OS QUE PASSAM GRITANDO, COMPAIXÃO POR ELES!

24.2.07

Minimalisticamente

Será?
Uma palavra que é o seu inverso.

10.2.07

Apontes sobre o ato de escrever

"não custa nada dar um precário destino às palavras, para que alcancem pelo menos o efeito plástico de um silêncio tensionado e, por um breve instante, sejam o que sonhamos que fossem."

No título desse post, um link para um artigo do poeta Cândido Rolim, publicado no Cronópios, sobre o ato de escrever. Leia mais. (rs)

1.2.07

A amora do bolo


"Não tem nenhum amor inteiro, só aos pedaços."


Foi o que eu ouvi do porteiro quando ele ligou para dizer que o bolo da doceria tinha chegado...

30.1.07

Lovefool

Sitting, Waiting, Wishing
Jack Johnson


Well I was sitting, waiting, wishing
You believed in superstitions
Then maybe you'd see the signs

But Lord knows that this world is cruel
I ain't the Lord no I'm just a fool
Learning loving somebody don't make them love you

Must I always be waiting, waiting on you?
Must I always be playing, playing your fool?

I sang your songs, I danced your dance
I gave your friends all a chance
But putting up with them wasn't worth never having you

And maybe you've been through this before
But it's my first time so please ignore
These next few lines because they're directed at you

I can't always be waiting, waiting on you
I can't always be playing, playing your fool

I keep playing your part
But it's not my scene
Want this plot to twist
I've had enough mystery

Keep building it up
But then you're shooting me down
But I'm already down
Just wait a minute

Just sitting, waitting

Just wait a minute

Just sitting, waitting

Well if I was in your position
I'd put down all my amuntintion
I'd wonder why it had taken me so long

But the Lord knows that I'm not you
and if I was I wouldn't be so cruel
cause waitin' on love ain't so easy to do

Must I always be waiting, waiting on you
Must I always be playing, playing your fool
know I can't always be waiting, waiting on you
I can't always be playing, playing your fool fool

5.12.06

Louca para ser livre

"Ninguém se liberta só com palavras (...)
Ao diabo com os sonhos: ou a gente age, ou a morte de repente nos cutuca, e não há sonho na morte. Todos os sonhos estão aqui."

Milton Hatuom - Dois Irmãos

25.11.06

Diálogo

Mesmo faltando um dos três lados....

Não vale a pena
Jean Garfunkel / Paulo Garfunkel

Ficou difícil
tudo aquilo, nada disso
sobrou meu velho vício de sonhar
pular de precipício em precipício
ossos do ofício
pagar pra ver o invisível e depois enxergar
que é uma pena
mas você não vale a pena
não vale uma fisgada dessa dor
não cabe como rima de um poema
de tão pequeno
mas vai e vem e envenena
e me condena ao rancor

de repente cai o nível
e eu me sinto uma imbecil
repetindo, repetindo, repetindo
como num disco riscado
o velho texto batido
dos amantes mal amados
dos amores mal vividos
e o terror de ser deixada
cutucando, relembrando, reabrindo
a mesma velha ferida
e é pra não ter recaída
que não me deixo esquecer
que é uma pena
mas você não vale a pena


Leve
Carlinhos Vergueiro / Chico Buarque

Não me leve a mal
Me leve à toa pela última vez
A um quiosque, ao planetário
Ao cais do porto, ao paço

O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu cheguei de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve

Não me leve a mal
Me leve apenas para andar por aí
Na lagoa, no cemitério
Na areia, no mormaço
O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu chegeui de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será tudo de bom
Mas não me leve

O meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

3.7.06

A coisa

"A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita."

Mário Quintana

16.4.06

PRI-ncess

Especialmente pra vc... (ou melhor, pra mim né!)
Aquela que é a maior entusiasta desse blog.

17.2.06

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski (Razão de ser)